O Pacto Aspira

Amigo aspira,

Sempre acreditei que, quanto mais informações disponíveis sobre os concursos, teríamos pessoas melhores sendo aprovadas. Mais informações siginificariam mais candidatos interessados na carreira, e o concurso poderia selecionar os melhores em num número bem maior de possibilidades. Desta forma, pensava eu, teríamos os melhores homens na carreira policial.

Foi isso que motivou-me a, desde 2006 (apenas dois anos após juntar-me às fileiras da Corporação), trazer a você as informações mais completas sobre concursos da Polícia Militar, em nível de detalhamento e qualidade que não eram possíveis encontrar em nenhum outro lugar.

Passados todos esses anos, não acho que foi suficiente. Infelizmente, tenho que reconhecer, nenhum concurso consegue avaliar honestidade, honra ou sentimento de compaixão, solidariedade e empatia. Afinal, essas são decisões pessoais alteráveis a qualquer tempo. Embora possa decorrer do conhecimento e da sabedoria, não são aferíveis em provas e concursos, mesmo em testes psicotécnicos e pesquisas sociais.

A possibilidade de estar disponibilizando conhecimentos e técnicas que ajudam também os futuros maus policiais a entrarem na Corporação, me causa verdadeira angústia.

Não sou santo nem perfeito, mas quero um país melhor e creio que as pessoas de bem são a maioria. Acho possível mudar alguma coisa. A vida seria muito ruim sem essa expectativa-possibilidade. Creio em uma mudança cultural, ética e de valores que se sustente numa evolução coletiva. Uma revolução silenciosa e invencível.

Creio neste tipo de mudança e acredito que já esteja acontecendo agora, de forma clandestina e silenciosa, em todos os postos e graduações da Polícia Militar.

E aqui surge meu interesse em você, aspira, futuro policial militar. Você já faz parte do sistema e em breve será ainda mais importante dentro dele.

Meu sonho é que alcancemos dias em que os policiais simplesmente cumpram seus deveres. Sem heroísmos nem exageros, embora ser bom e honrado me pareça uma forma de heroísmo. Não estou falando de novos Capitães e Coronéis Nascimento. Falo de policiais normais, comuns, mas com honra e compaixão que resultarão em um país mais justo e digno: agirão com correção e serão, à medida em que cada vez mais numerosos, invencíveis. Uma elite!

Desejo uma revolução, silenciosa, construída aos poucos por um novo exército. Um exército de guerreiros treinados, competentes, disciplinados e de fibra. Fibra que foi necessária para a aprovação e que será necessária, em outro formato, para o cotidiano. Creio mesmo na revolução que começa no metro quadrado que cada um ocupa.

Você será, em breve, poderoso. E, se estivermos unidos num mesmo projeto, cada um fazendo a sua parte, seremos mais poderosos do que os mais admiráveis exércitos da história de todas as guerras. Um novo exército. Uma nova revolução. A melhor de todas. Uma revolução que é possível. A história mostra desafios de monta superados, revoluções bem sucedidas porque foram feitas pelo povo.

Podemos lançar os olhos mais uma vez sobre o amanhã de nosso país para ver essa desejada alvorada, e fazer isso com fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino. E, ao colocar em prática a revolução, não só ousar sonhar, mas ousar realizar a nossa parte.

Façamo-nos um pacto que ajude a pôr nosso país em ordem! Um pacto de 5 compromissos.


Convido-o a ser, depois da incorporação, um guerreiro honrado, modesto mas firme, soldado de um novo tempo.

A revolução virá!

O texto acima foi adaptado do livro "A Arte da Guerra para Concursos", 3ª ed. págs. 100-103.

Convido-o também a ver o vídeo abaixo, produzido pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, em seu Programa de Prevenção ao Desvio de Conduta Policial Militar.

O filme mostra algumas histórias verídicas de pessoas que em algum momento da carreira se desviaram do caminho correto e sofrem até hoje as duras consequências dessa escolha.

Sigam-me os bons!

Tags: carreira, pacto, pacto-aspiras

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Respostas a este tópico

Parabéns pelo trabalho, pelo post e pelas palavras.
Grande abraço
Exatamente isso que comentei com a Carol. (Leiam, é um bom aprendizado)

Vou contar aos senhores uma história que passei por esses dias.

Um amigo me chamou para conversar com alguns candidatos à polícia militar, saímos, fomos para um bar e lá aconteceu de entrarmos no assunto de praxe sobre a instituição, a corrupção.
Muitos candidatos se diziam inconformados com essa endemia, muitas das vezes vi que alguns deles queriam ser verdadeiros revolucionários e difundir seus ideais para toda a corporação. Percebi também, que eles tinham um ideal criado pela mídia, ou seja, pela TV, não carregavam uma idéia concreta do que fazer se entrasse em confronto com o sistema corrupto, usavam jargões já bem conhecidos sobre honra e honestidade, percebi claramente a falta de personalidade e uma sintomática tendência a influência alheia, mas vamos lá.

Resolvi questionar alguns candidatos se realmente queriam ser revolucionários, eles balançaram a cabeça dizendo que sim, ai que resolvi contar a eles uma história sobre um grande revolucionário, falei de Robespierre, perguntei a eles se conheciam esse nome, todos responderam negativamente, então prossegui.

Robespierre amigos, quando jovem, era um ilustre estudante de direito, em um de seus destaques pelo seu desenvolvimento estudantil, foi convidado a receber o Rei da França, Luis XVI, em sua cidade, e assim o fez, com um poema e um buquê de rosas, o Rei acostumado a bajulações fez pouco de seu cerimonial, mal sabia ele que dentro daquele coração estava um verdadeiro revolucionário, e que aquelas rosas teriam uma representação mais ampla futuramente.

Robespierre se tornou um idealista, se tornou umas das vozes vociferantes que insuflou a revolução francesa, ele, apoiado pelo povo, estava cansado desse sistema de irregularidades no poder monárquico, dessa mordomia, dessa exploração. O povo colhia seu trigo provindo do árduo trabalho, e dava grande parcela de seu suor a nobreza francesa, enfadada com seus trajes supérfluos e embebidas em seus vinhos corruptos e envelhecidos pelo sangue do povo.

E assim foi, uma revolução sangrenta, os estados gerais se auto proclamaram assembléia nacional constituinte, hove a queda da bastilha, a monarquia constitucional e em seguida, a assembléia se declarou convenção nacional, ia se instaurar a república, assim surgiu os Jacobinos, liderados em partes por Robespierre. O rei tentou fugir, foi preso, e assim com a mesmo desprezo que tratara Robespierre foi duplamente desprezado pelo mesmo Revolucionário que outrora lhe dava rosas para saudar sua vida, agora lhe dariam rosas que representavam a sua morte. O Rei foi morto pelo brado de seu antes receptor poético.

Mas Robespierre não conseguiu conter a fúria do povo e da oposição, enfrentou a fase do terror, cabeças guilhotinadas, sangue manchavam o chão Francês, e esse episódio fez crescer paralelamente em seu coração a ira que o povo transmitia, e assim, perdeu sua capacidade intelectual, se revoltou e não resisitu as diversas divergências do que é governas. Morreu amigos, perdeu o principal elemento de seu ideal, perdeu sua cabeça, que guiava seu corpo e sua voz vociferante e convicta em proclamar o verdadeiro destino de sua vida. A revolução francesa.

Amigos, disse eu, um verdadeiro revolucionário sabe que na balança o seu ideal pesa mais do que sua própria vida. Um verdadeiro revolucionário se converte como tal no ventre de sua mãe, nasce e morre por sua causa. Vocês estão dispostos a passar por isso? Perguntei eu . Não, disseram boqueabertos. Então devemos em nossas vidas fazer apenas a nossa parte, fazer direito, com essa mesma ética que prega a sua consciência, assim devagar e sempre haverá a mudança na instituição no qual almejamos entrar, ou, esperar que Deus nos presenteie com um espirito revolicionário verdadeiro, como Robespierre e tantos outros o foram.

Perfeito...

perfeito!totalmente perfeito!tenho q ler esse texto pro meu pai!

   Nossa, ... Quanta sensibilidade e compreensão, sempre acreditei na Revolução, isto é, na tentativa, agora depois de ler esse texto pequeno de extensão, porém grandioso em reflexão, parei e refleti na verdadeira intenção que temos e no verdadeiro e gigantesco significado do que um dia comentei com meus amigos e familiares, o quanto nossas palavras são fortes e o quanto somos "inocentes" ao ponto de nem sabermos ao certo o que queremos de verdade.. Muito obrigada pelo texto garanto que o citarei sempre que possível quando o tema for "revolução" ou espírito de revolução em aspirantes a Policia Militar.  Parabéns, desejo muito sucesso em sua caminhada. 

Obrigado pelo comentário 001.

É bem por aí. Não precisamos ser, nem precisamos esperar por Robespierres ou Nascimentos. O que precisamos é de mais pessoas dispostas a cumprir o seu dever. Nada mais, nada menos que isso.

"Creio mesmo na revolução que começa no metro quadrado que cada um ocupa".

Abraço
Obrigado TEN. Muito obrigado por ser que é.
Excelente idéia: sem heroísmo, apenas fazer o que tem de ser feito.

Se cada um fizer a sua parte, seremos com certeza uma elite respeitada e exemplo para todas as instituições públicas.

Fé na missão!
estamos juntos nessa .
Muito valioso este tópico!

Muito bom DE SOUSA.
boa tarde, é realmente devemos buscar por essa etica pois fica mais facil lidar com a grande marginalidade, si tivermos profissionais como nós ao nosso lado, pois ficaremos com um unico foco o sucesso nas operaçoes...abraços....
Ótimo tópico, parabéns pela postagem e que sirva de alerta a todos, assim como eu, que queiram ingressar na policia militar.

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